Como as nossas Emoções podem gerar Dor na Coluna Vertebral?!

Por Dra. Jacqueline Bertagna / Fisioterapeuta CREFITO 34.331-F

A coluna vertebral sofre o impacto das nossas emoções.

Durante séculos, a Medicina Oriental defendeu que precisávamos cuidar não só do corpo físico, mas também das emoções e dos sentimentos, inerentes à natureza humana. Nós os carregamos em nossas mentes, e é possível que os percebamos de maneira muito particular. Cada indivíduo desenvolve seus próprios mecanismos de defesa e de compensações para reagir aos diferentes sentimentos que experienciamos em nosso dia a dia e que podem repercutir sobre nosso corpo sem que sequer tenhamos controle, ou que os vislumbremos.


Atualmente, a medicina integrativa tem mostrado, com muita clareza, que conflitos emocionais não resolvidos podem se manifestar através do mau funcionamento de algum órgão ou sistema do corpo humano. Essa noção de que não somos seres fragmentados tão sensivelmente abordada pelos orientais tem ganhado cada vez mais espaço no ocidente. Através de um olhar integrativo, então, tornou-se possível correlacionar, por exemplo, a raque com o eixo do corpo humano que, simbolicamente representa a nossa sustentação e, por isso, "carrega" o peso das responsabilidades.

Quando falamos em saúde da coluna vertebral, é fundamental que pensemos na integridade do corpo e da mente, uma vez que já é sabido que cada região da nossa coluna pode refletir um determinado padrão de conflito emocional. Segundo nosso especialista em coluna, Dr. Pedro Deja, quanto menos dissociarmos o binômio CORPO e MENTE, mais aumentarão as chances de êxito nos cuidados com o nosso eixo de sustentação.


A região cervical, que compreende sete vértebras, fala muito a respeito da nossa capacidade de nos relacionarmos com o outro e com o mundo externo, haja vista o nome que a primeira vértebra dessa região recebe - Atlas - em alusão ao Titã do mito grego, que fora condenado a carregar o mundo nas costas, tal qual a vértebra suporta o peso da nossa cabeça e de todos os problemas que precisamos aguentar diariamente. Problemas que afetam a coluna cervical geralmente vêm acompanhados de história de estresse aumentado, de senso de responsabilidade e de ansiedade excessivos.


Já quando consideramos as dores da região dorsal, podemos estar diante do reflexo de conflitos emocionais que têm relação direta com o medo, com a raiva e mesmo com a culpa. É comum os pacientes com dores neste local apresentarem um padrão respiratório mais superficial (lembrando que essa região da coluna se relaciona diretamente com a caixa torácica e, consequentemente, com as funções respiratórias), com os ombros "enrolados" e uma curvatura do tronco para frente (cifose dorsal), o que também contribui para a piora da respiração. A postura, na verdade, se traduz como uma atitude de fechamento, de defesa, além de poder estar relacionada a um sentimento de aflição interior, frequentemente encontrada em indivíduos com baixa autoestima e inseguros na tomada de decisões importantes para a sua vida.


Uma queixa recorrente de dores nos consultórios é, sem dúvida, as da região lombar, que podem estar relacionadas à enorme dificuldade de suportar a carga da vida, apesar do gigantesco esforço para tal. Quando há dor lombar, pode existir uma conexão da mesma com a necessidade de sobrevivência e com o alto senso de responsabilidade por parte do paciente diante das inúmeras atribulações de sua rotina.

A área que se refere figurativamente à satisfação das necessidades primárias é a região sacro-coccigeana, localizada no final da nossa coluna. Assim, dores nesses locais podem estar relacionadas à sexualidade, à alimentação e à segurança oferecida pela estabilidade de um lar ou até mesmo de um amor maduro.


Hostilidade reprimida, culpa, ansiedade, mágoas e ressentimentos, agessividade, excesso de determinação, além da tão falada depressão, por exemplo, podem se apresentar como sintomas diversos no organismo humano, tornando difícil estabelecer uma relação direta entre os sentimentos vividos e os sinais e ou sintomas que surgem no corpo físico. Identificar, nomear e compreender as nossas emoções é fundamental para que possamos minimizar o seu impacto sobre o corpo e, principalmente, sobre a coluna vertebral. O entendimento do indivíduo como um todo é peça-chave para que consigamos traçar estratégias de tratamento para a sua disfunção física e psíquica (emocional), bem como para que possamos traçar novas formas de enfrentamento das doenças que afetam a coluna vertebral.


Pensando nisso, percebemos com mais transparência que a dor nas costas não é necessariamente causada apenas por posturas inadequadas ou problemas músculo-esqueléticos, mas por emoções somatizadas e não resolvidas. A nossa raque está repleta de mensagens e de informações em cada um de seus segmentos anatômicos. Quando algo ocorre de forma não esperada ou não desejada, imediatamente, como resposta fisiológica, desenvolvemos tensões musculares que podem repercutir em qualquer área adjacente à coluna vertebral. De acordo com a fisioterapeuta, Dra. Jacqueline Bertagna, "os locais de maior tensão são os responsáveis por desequilíbrios musculares tão significativos que são capazes de interferir no posicionamento de estruturas, originalmente rígidas, como os ossos, e fixá-las de forma autônoma como melhor lhes convier naquele momento. Conforme estimulamos ou deixamos de fazê-lo, os músculos, fortemente submetidos às exigências das fáscias, acabam dispondo-se de forma aleatória (ora mais alongada, ora mais encurtada). É justamente desse desequilíbrio que nasce grande parte das dores na coluna".


Como nossas emoções são acompanhadas de alterações fisiológicas, é fundamental que estejamos cientes da importância de escutarmos e de compreendermos nosso corpo e nossa alma. É lógico que cada paciente deve ser avaliado de forma individual, considerando não só suas queixas de dor nas costas, mas também sua história de vida e investigação dos eventos emocionais pelos quais ele passou. Daí a relevância de haver uma equipe multiprofissional para o tratamento desse paciente, que poderá contar com a ajuda não só de neurocirurgião e de fisioterapeuta especialistas em coluna, mas também de um psicólogo, que poderá dar uma enorme contribuição acerca das questões emocionais.

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