Como o Terapeuta Cognitivo Comportamental pode ajudar em casos de DOR CRÔNICA?


Por Maria Laís Campos – Psicóloga e Neuropsicóloga / CRP 06/130759



Você pode estar aí se perguntando por que precisa de psicólogo, já que sofre de uma dor que se manifesta em seu corpo e, pelo que entende, um terapeuta cuida das emoções (mente/cérebro)?! Como terapeuta eu também já me fiz essa pergunta quando recebi o meu primeiro caso de dor crônica no consultório de psicologia. Precisei fazer um regaste nos meus estudos sobre emoções para conectar o elo perdido entre mente, cérebro e corpo.


Pouco ou quase nada nos é ensinado sobre as emoções, mas elas seguem tendo um mapa mental de representação no corpo. No cérebro, integramos as informações e damos significado, interpretando o que está acontecendo conosco. Algumas pessoas têm essa capacidade mais desenvolvida, outras ainda precisam desenvolver. Como Terapeuta Cognitivo Comportamental, antes de iniciar o processo de ajuda, preciso compreender a dor como um processo que é influenciado por fatores biológicos, psicológicos e até sociais. Estes devem ser analisados minuciosamente já que é muito particular a cada indivíduo. A dor é sempre diferente para cada um.


Nesse espaço, quero me deter aos aspectos psicológicos da dor, citando um exemplo cotidiano de uma pessoa com dor crônica. Imagine que ela foi convidada para uma festa de aniversário de um familiar. Um dia antes ao evento, ela começa se preocupar como será o dia festivo. Seu estado de preocupação promove tensão dos músculos. No dia seguinte, lá está ela com uma dor insuportável! A dor fica cada vez mais intensa, devido ao seu hiperfoco no desconforto e ela declina o convite para a tal festa. Esse exemplo demonstra que a dor não é uma simples reposta física, ela é mediada por mecanismos complexos de pensamentos e sentimentos que são comandados por nosso cérebro. O nosso humor influencia a nossa percepção de dor. Tudo que colocamos atenção se expande e com a dor não poderia ser diferente.


Seguindo a análise da dor como um processo, precisamos nos concentrar aos possíveis mantenedores do problema, o qual geralmente é agravado por questões emocionais novamente. Mais comum do que se imagina, pessoas que sofrem com dor crônica experimentam sentimentos significativos de tristeza, desmotivação e desesperança. Muitas delas se sentem invalidadas por familiares e, até mesmo, por profissionais que, na tentativa de ajudar, comentam que o problema é “só psicológico". Ser “só psicológico” não é motivo para não buscar estratégias psicológicas (redundância proposital) para mediar o sofrimento. Não é por ser psicológico que não temos nada a fazer. Pelo contrário! Temos muito e podemos aprender a regular nossos estados emocionais, a modificar nossa percepção de dor, a comunicar de forma efetiva a nossa dor, a desafiarmos nosso corpo a sair do estado de evitação de exercícios físicos, a obter treinamento de relaxamento e a retornar a atividades sociais. As formas de auxílio no alívio da dor são tão vastas que existem protocolos específicos em Terapia Cognitivo Comportamental, os quais podem ser adaptados pelo terapeuta a cada caso, considerando suas especificidades, visando reduzir os impactos do sofrimento e melhora na qualidade de vida de quem sofre com o problema.


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